Zika pode estar associado a transtornos como autismo, dizem cientistas americanos

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Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, temem que o vírus zika possa contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais na vida adulta. De acordo com o professor W. Ian Lipkin, do Centro para Infecções e Imunidade de Columbia, e o Dr. Alan S. Brown, da Escola de Medicina, infecções pelo zika durante a gestação poderão provocar problemas futuros nos bebês, como autismo, esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno de déficit de atenção. Esses males podem acometer mesmo crianças que nasçam saudáveis, sem sinais de microcefalia ou atrasos cognitivos óbvios. “As consequências vão muito além da microcefalia”, disse Lipkin ao jornal The New York Times.

O vírus zika é conhecido desde 1947. Por muito tempo, foi visto como um problema menor – no geral, uma infecção por zika provoca sintomas brandos, e há casos em que o vírus não provoca sintoma algum. Só muito recentemente, o zika passou a ser associado a problemas neurológicos, e despertou a atenção da ciência. Ainda sabe-se pouco sobre seus mecanismos de ação. Por isso, previsões como essa só podem ser feitas comparando o vírus a outros agentes infecciosos. No passado, casos de rubéola e gripe espanhola foram apontados como fatores importantes para o desenvolvimento de esquizofrenia e transtorno bipolar. Os cientistas temem que o zika, um vírus com predileção por células nervosas, possa ter efeitos semelhantes.

Há tempos, a ciência entende que o período dentro do útero é importante para a saúde mental futura de uma pessoa. Nesse período, e durante os primeiros anos de vida da criança, o cérebro se desenvolve em grande velocidade e constrói conexões entre os neurônios, para que a criança possa aprender e se desenvolver. Infecções e maus tratos nessa fase podem fazer o cérebro desviar do que os especialistas chamam de trajetória saudável do desenvolvimento cerebral. E provocar problemas futuros.

A ciência também sabe que transtornos mentais são multifatoriais. Eles não são provocados por apenas um problema, mas por uma associação deles: predisposição genética, problemas durante a gestação, violência e abuso durante a infância são os mais comuns. Nesse rol de pontos-contra, estão as infecções intrauterinas. Cientistas brasileiros perceberam que o zika causa danos além da microcefalia, como problemas de visão. Hoje, fala-se na existência de uma síndrome congênita do vírus da zika – um conjunto de problemas e sintomas provocados pelo zika e presentes no bebê logo ao nascer. Os efeitos de longo prazo de uma exposição ao vírus ainda são desconhecidos: “Ainda precisamos de estudos de longa duração para compreender as consequências”, disse Brown ao New York Times.

 

Fonte: Revista Época